COLHEITA DA MELANCIA

Formoso exporta mão de obra para outros Estados

Os trabalhadores não atuam sempre nos mesmos locais. A caravana até o RS começou na terça-feira, dia 21

23/01/2020 16h40Atualizado há 2 meses
Por: Redação
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Formoso do Araguaia ficou conhecida como a Capital da Melancia do Tocantins. Nos últimos anos o cultivo da fruta caiu na região. O custo com o transporte é apontado como um dos fatores que inviabilizou a sequência do plantio. José Carlos Batista, 31 anos, trabalhador rural, disse ter ouvido de um patrão algum tempo atrás que a qualidade da terra não estava ajudando.

 

Nesta semana, José Carlos e mais 18 formosenses com idade entre 23 e 34 anos, embarcaram no ônibus da empresa Planalto em Gurupi e viajaram quase 3 mil quilômetros para fazer a colheita de melancia em Pedro Osório, município situado no extremo sul gaúcho. Para chegar lá, depois do fim da linha (Santa Maria), eles devem apanhar mais dois ônibus. "Devemos chegar lá no domingo. Às vezes a gente começa a trabalhar no mesmo dia", diz José Carlos.

 

Em Pedro Osório os trabalhadores devem permanecer em torno de 2 meses. Esperam carregar entre 6 e 8 carretas de 30 mil quilos por dia e ganhar 5 mil reais cada um. Eles saíram de suas casas já contratados pela empresa Fruta Sul, que garante todas as despesas com transporte, alimentação e estadia até o retorno dos trabalhadores, no final de março.

 

A empresa Fruta Sul já teve áreas de plantio em Formoso do Araguaia. Foi nessa propriedade que José Carlos aprendeu o que sabe sobre cultivo e colheita de melancia. Alessandro Pereira é o mais velho da turma, tem 34 anos. Gutierres da Silva, com 23 anos, é um dos mais jovens. Ele está indo realizar a colheita no Rio Grande do Sul pela primeira vez.

 

Os coletores de melancia tocantinenses têm experiência em outros estados. Eles já foram contratados para trabalhar na Bahia, São Paulo e Goiás. A época da colheita é diferente. Em março, alguns deles vão para Uruana - GO; outros vão Barreiras - BA, em abril; no meio do ano a colheita é em Formoso - TO; e setembro, Tupã, interior de São Paulo. No Rio Grande do Sul, outro município em que eles normalmente trabalham é Arroio Grande, a 286 quilômetros de Porto Alegre.

 

Embaladores e rameiros

 

Assim como outras atividades de manejo de culturas, a colheita de melancia requer habilidades especiais do trabalhador. Nada muito engenhoso, mas indispensável para realizar um bom trabalho. Não é por outro motivo que os trabalhadores de Formoso do Araguaia estão encontrando mercado de trabalho em lugares tão distantes de casa. Eles sabem o ofício.

 

A seleção da fruta a ser colhida tem relação com a qualidade do produto que vai chegar aos mercados. Tudo começa com o rameiro, que é o trabalhador responsável pela primeira análise, com a fruta ainda no ramo. Geilson Lima, 25 anos, é rameiro. Ele dá algumas dicas sobre como identificar a fruta madura e de boa qualidade. "O fundo da fruta - parte que fica em contato com o chão - tem que estar amarelada". Celivan de Souza, 28 anos, que também trabalha como rameiro, acrescenta que é preciso verificar o talo e a coloração da melancia. "Quando o talo tá fino e o rajado mais escuro, é sinal de que a fruta tá boa pra colher", acrescenta.

 

Sobre a carreta fica o embalador. Esse trabalhador faz uma nova triagem, a definitiva. Ele é, em última análise, quem vai definir as frutas que permanecerão na carga. O embalador, portanto, tem que ser um dos mais experientes. José Carlos é um dos embaladores da turma. Ele passou boa parte de sua vida trabalhando na colheita da melancia em Formoso. Só com este patrão, que prefere levar os trabalhadores do Tocantins até o longínquo Rio Grande do Sul para realizar a colheita, José Carlos faz o serviço há 9 anos.

 

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